A Pior Coisa É Ser Solteiro E Pobre

A pior coisa é ser solteiro e pobre
A pior coisa não é ser solteiro.
A pior coisa não é ser pobre.
A pior coisa é ser solteiro, pobre e morar num lugar que parece cenário de filme pós-apocalíptico, só que sem orçamento de Hollywood.
Você até tem carro.
Mas ele vive em modo clandestino, escondido igual criminoso internacional, porque se bobear rola busca, apreensão, acordo, negociação, promessa, parcelamento em 48 vezes e um “volta mês que vem”.
E enquanto isso você mora onde?
Num buraco existencial que o Google Maps se recusa a reconhecer. Um lugar onde tudo fede a derrota, lixo acumulado e decisões ruins.
Tem gente que nasce no litoral sul de São Paulo.
Outros nascem na Europa, com passaporte bonito, vinho barato e calçada limpa.
E você nasce onde?
No fim do mundo da Zona Leste, onde até o vento passa rápido pra não ficar.
Não é o barulho que incomoda.
Barulho é detalhe.
O problema é o circo diário:
moto cortando giro às três da manhã,
cheiro suspeito no ar,
gente se exibindo com nada,
e você tentando dormir como se isso fosse um direito humano básico.
Perto da sua casa tem um terreno baldio.
Antes era uma casa de dois andares.
Hoje é:
depósito de móveis quebrados,
roupas jogadas fora (que podiam ser doadas, mas não),
lixo,
improviso,
e sonhos desmontados em forma de barraco.
E ainda tem quem romantize.
“Favela é resistência.”
Resistência é o meu limite psicológico, porque isso aqui não é poesia, é desgaste mental diário.
Você olha os shoppings: Itaquera, Tatuapé, Anália Franco, Aricanduva…
Tudo brilhando.
Tudo caro.
Tudo fora da sua realidade quando o salário não cai.
A vitrine te chama.
A conta bancária responde: “não hoje.”
E aí aparecem políticos, militantes, adesivos, slogans, ideologias recicladas, discursos prontos — todos dizendo que esse lugar é lindo, que isso aqui é cultura, que isso aqui é potência.
Mas pra quem mora aqui, é só cansaço.
É acordar todo dia pensando: “Como eu vim parar exatamente aqui?”
E não, não é ódio.
É exaustão.
É frustração.
É a sensação constante de que o mundo foi dividido em níveis — e você caiu no mapa errado.
Ser solteiro é detalhe.
Ser pobre já dói.
Mas morar num lugar que parece te lembrar disso 24 horas por dia…
Aí sim é castigo

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